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Homem finalmente devolve livro que pegou na biblioteca há 49 anos

Emprestou um livro e nunca te devolveram? Temos uma história para reforçar sua fé de que vai tê-lo de volta! A biblioteca da Universidade de Dayton (fica em Ohio, nos EUA) recebeu um livro de história que estava emprestado há 49 anos. 

Em 1967, James Phillips, o tal do ex-aluno esquecidinho, teve que abandonar o curso às pressas após ser convocado para a Guerra do Vietnã. Por isso, empacotaram seus pertences (incluindo o livro da biblioteca) no alojamento da faculdade e os enviaram para a casa dos pais de Phillips, onde permaneceram até o dia em que os velhinhos morreram e os filhos tiveram que mexer em caixas e estantes esquecidas.

Ao ver o exemplar empoeirado de História das Cruzadas, de George Procter, James Phillips resolveu devolvê-lo junto com um bilhetinho se justificando: "Por favor, aceitem minhas desculpas pela ausência do livro História das Cruzadas. Aparentemente, eu peguei emprestado quando era um calouro e, de alguma forma, ele ficou perdido por todos esses anos".

O gesto de devolução de Phillips foi tão inesperado, que a universidade resolveu ignorar a multa acumulada em mais de R$ 1.270 devida por Phillips e ainda fez um post no Twitter aceitando as desculpas:

Tradução do tuíte: "Antes (49 anos) tarde do que nunca. Ex-estudante da Universidade devolve livro emprestado em 1967".

Tenha controle dos seus livros emprestados

Além de blog, o Shereland é uma rede de empréstimo de livros. Funciona assim: você se cadastra, adiciona amigos e, a partir daí, vocês conseguem ver os livros que cada um tem na estante. Quando tiver interesse por um título, peça emprestado e nós colocamos vocês em contato.

 

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A gente lê + Frases de Carolina Maria de Jesus em Quarto de Despejo

Leitores da década de 1960/70 devem se lembrar de Quarto de Despejo, o super best-seller escrito por Carolina Maria de Jesus. Ela era mulher, negra e pobre, mas foi contra todas as estatísticas e conseguiu vender mais de um milhão de cópias do livro em que contou o cotidiano da vida que levava na extinta favela do Canindé, na zona norte de São Paulo.

Mesmo tendo estudado apenas até o segundo ano do primário, Carolina gastava o tempinho que lhe sobrava quando não estava cuidando dos filhos ou catando sucata lendo e escrevendo em diários. Diários que, aliás, usava como válvula de escape, trampolim (pois sempre teve a intenção de publicá-los) e arma. Vocês acreditam que ela ameaçava vizinhos e afins dizendo que iria expô-los em seus livros se eles continuassem fazendo papelão?

E foi dessa forma que a até então aspirante conheceu o jornalista Audálio Dantas. Ele estava fazendo alguma reportagem na favela e a encontrou batendo boca com os moradores, dizendo que iria colocá-los nos diários. Audálio ficou interessado e, pronto, em 1959 conseguiu publicar um texto de Carolina na revista O Cruzeiro. Mais alguns meses e Quarto do Despejo foi publicado.

Com o sucesso instantâneo (acho que era a primeira vez que o Brasil via uma negra da favela falando por si), Carolina conheceu Clarice Lispector (que estava no lançamento do livro!), mudou-se da favela que tanto odiava e viajou em eventos literários pelo mundo. Só que suas obras lançadas a partir daí não deram muito certo, e a escritora foi esquecida. Morreu em 1977, aos 62 anos, no sítio que comprou na zona sul de São Paulo.

Como o reconhecimento costuma vir quando o escritor já não está mais aqui, em 2014, Carolina recebeu muitas homenagens em virtude de seu centenário. Na ocasião, sua filha, a Vera Eunice que aparece tanto nos diários e hoje é professora, deu algumas entrevistas relembrando a mãe.

Minhas impressões sobre o livro Quarto de Despejo 

O diário foi escrito, com períodos de interrupção, entre 1955 e 1959. O conteúdo não tem muito segredo, é algo no estilo: acordei, fui pegar água, só tinha arroz para comer... Mas acho que o poder da narrativa está justamente na repetição. Chegou uma hora da minha leitura que eu pensei: "gente, ela só fala sobre comida". Só que é este o ponto... Para uma mãe solteira com três filhos, comer era o grande desafio. Fome é uma palavra que a autora usa praticamente todos os dias.

Outro ponto que a repetição evidencia é que são cinco anos de mesmisse. Trocam-se os políticos, mas nada muda para os favelados.

E quando Carolina fala de favela, não está se referindo ao que nós conhecemos como tal hoje em dia. Por um lado, não há relatos no livro sobre tráfico, violência policial e afins. Por outro, eram lugares completamente isolados da cidade, com gente se alimentando de comida podre e crianças morrendo, tipo, pisoteadas pelos pais durante uma briga conjugal.

Ah, os editores optaram por publicar o texto na íntegra, sem alterar os erros ortográficos de Carolina (que, diga-se de passagem, eram muito poucos considerando-se sua baixa escolaridade). Não gostei da escolha. Sei que ajuda a fazer o leitor a entrar no clima, mas também acho que a escritora merecia o mesmo tratamento dado a qualquer outro literato. Ou vocês acham que Clarice mandava originais impecáveis para as editoras? Duvido.

Frases de Carolina Maria de Jesus 

Por fim, deixo com vocês minhas frases favoritas de Quarto do Despejo.

"Nunca vi uma uma preta gostar tanto de livros como você."

"Eu cato papel, mas não gosto. Então eu penso: Faz de conta que eu estou sonhando."

"Eu classifico São Paulo assim: O Palácio é a sala de visita. A Prefeitura é a sala de jantar e a cidade é o jardim. E a favela é o quintal onde jogam os lixos."

"A democracia está perdendo os seus adeptos. No nosso país, tudo está enfraquecendo. O dinheiro é fraco. A democracia é fraca e os políticos, fraquíssimos. E tudo o que está fraco, morre um dia."

"Tem pessoas que, aos sábados, vão dançar. Eu não danço. Acho bobagem ficar rodando pra aqui, pra ali. Eu já rodo tanto para arranjar dinheiro para comer."

"Temos só um jeito de nascer e muitos de morrer."

Comprar livro Quarto de Despejo.

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Vanda Bezerra Cavalcante 30 de Abril de 2018 às 00:18

Desde que conheci a obra dessa mulher guerreira sempre tive o desejo de levar Carolina para os palcos! E depois de muitos anos agora estou realizando esse sonho " os papéis de Carolina" esse é o nome do monólogo que estou fazendo! Muito feliz pois no próximo dia 10 de maio fui convidada para fazer uma omenagem a filha dela Vera Eunice, que também vou conhecer! Ela tem muito a nos falar nos dias tão sombrios que vivemos hoje nos pretos e pretas desse Brasil!

O que é um clássico?, por Virginia Woolf

Afinal, o que é um clássico? Pensar sobre essa questão pode levar a discussões acaloradas de horas (não é, Cláu, do Tô Lendo?) e até a bloqueios do Facebook, mas estava lendo Um Teto Todo Seu, de Virginia Woolf, e guardei dois trechos que gostei muito.

O tema do ensaio da escritora é a mulher e a ficção, mas, em um determinado ponto, ela se pergunta por que alguns livros são lidos apenas na época em que são publicados, enquanto outros continuarão sendo lidos séculos depois.

O que eu entendi do texto de Virginia é que, para ela, é uma algo intuitivo: tem escritores que são gênios e basta lê-los para identificar.

"Ou talvez seja porque a Natureza, em seu humor irracional, escreveu em tinta invisível nas paredes da mente, uma premonição que é confirmada por esses grandes artistas - um esboço que precisa apenas ser colocado diante do fogo da genialidade para se tornar visível. Quando alguém o revela e o vê ganhar vida, exclama em arrebatamento: Mas isto é o que eu sempre senti, soube e desejei! E a pessoa ferve de excitação, e, fechando o livro, como se fosse algo muito precioso, um porto seguro ao qual retornar por toda a vida, guarda-o de volta na prateleira, pensei, tomando Guerra e Paz e guardando-o de volta no lugar."


"É o que infiro ao ler Rei Lear, Emma ou Em Busca do Tempo Perdido. Pois ler esses livros parece desempenhar uma operação curiosa de burilação dos sentidos; vê-se de forma mais clara depois disso; o mundo parece despido de suas cobertas e provido de vida mais intensa"

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Para que servem as bibliotecas da universidade?

Uma biblioteca serve para pegar livros emprestados, certo? Errado.

Em julho de 2015, a editora Cengage Learning fez uma pesquisa com três mil estudantes americanos para descobrir o que eles fazem nas bibliotecas de suas universidades. Por incrível que pareça, mais da metade dos alunos está nem aí para os livros.

Vejam só:

77% vão para a biblioteca para estudar sozinho
(não importando os recursos oferecidos pelo recinto, mas, sim, o ambiente calmo)

51% para consultar a base de dados online 
(ou seja, usar a internet para fazer pesquisa)

39% para acessar materiais de consulta (não circulante, tipo dicionários e guias)

34% para encontrar seus colegas para fazer trabalho em grupo

29% para consultar livros

22% usar livros pedidos em sala

13% para socializar

10% para frequentar eventos

8% para ler jornais e revistas da biblioteca

6% para dormir

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Atenção: seu Kindle vai deixar de funcionar se você não o atualizar até amanhã

Você tem um Kindle comprado em 2012 ou antes disso? Atualize-o já! Quem não o fizer até amanhã, 22 de março, não conseguirá mais acessar a internet com o dispositivo.

O procedimento para atualização costuma ser automático, bastando ligar o aparelho no modo wi-fi. Caso tenha dúvidas, veja as orientações da Amazon.
 

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