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Carta de Charles Bukowski após sofrer censura

Em 1985, o livro Notas de Um Velho Safado, de Charles Bukowski, foi tirado de circulação em uma biblioteca holandesa, após reclamações contra o conteúdo ofensivo a mulheres, negros e homossexuais dos contos.

Que o texto do escritor nascido na Alemanha (mas radicado nos Estados Unidos) tem machismo, racismo, homofobia e muitas outras coisas não é novidade. Há, por exemplo, um conto dele em Crônica de Um Amor Louco que narra um cara abusando sexualmente de uma criança. Mas sempre me pergunto: quando um autor escreve sobre um crime, ele está dizendo aquilo ou está fazendo uma denúncia? Enfim...

Bom, um jornalista perguntou ao próprio Bukowski o que ele achou da polêmica da censura aos seus livros, e o escritor escreveu uma carta com esse trecho maravilhoso:

"A censura é a ferramenta das pessoas que precisam esconder a realidade de si mesmas e dos outros. O medo delas não passa da incapacidade de encarar o que é real. Não tenho raiva delas. Só fico muito triste. Quando eram crianças, foram protegidas dos fatos da vida. Só lhe ensinaram um modo de ver, quando existem muitos."

No final, Bukowski ainda termina com um "Tomara que melhoremos todos juntos".

A versão integral da carta de Bukowski pode ser lida aqui.

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Último livro da tetralogia de Elena Ferrante chega às livrarias no fim do mês

Apaga a luz! Um post na página da Biblioteca Azul no Facebook me deixou em polvorosa nesta quarta: a editora prometeu o último livro da tetralogia napolitana de Elena Ferrante para o fim deste mês. Eu disse deste mês!

História da Menina Perdida ganhou até capa, olha que linda:

A tetralogia de Elena Ferrante (que é o pseudônimo de um escritor(a) que nunca se revelou) é formada por A Amiga Genial, História do Novo Sobrenome,  História de Quem Foge e de Quem Fica - todos esses livros já publicados no Brasil - e o ainda inédito História da Menina Perdida. Veja a resenha que já fiz sobre as obras de Elena Ferrante aqui. 
 

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A gente lê + Frases de Umberto Eco em Número Zero

Número Zero foi o último livro publicado em vida por Umberto Eco, italiano morto em fevereiro de 2016 que, além de escritor de sucesso (você já deve ter ouvido falar na sua obra mais famosa, Em Nome da Rosa), era jornalista, ensaísta, filósofo, medievalista e muito mais. 

Nessa história curtinha (a edição brasileira de Número Zero tem 140 páginas), Eco fala sobre um grupo que ~ na teoria ~ vai lançar um jornal financiado por um ricão. No entanto, para definir a linha do periódico, o editor propõe que a redação, toda formada por jornalistas frustrados, trabalhe em um piloto - o tal do número zero.

Para mim, as divertidíssimas reuniões de pauta foram o ponto alto da obra, pois trazem um editor inescrupuloso ensinando como se fabricar notícias e manipular os leitores -  bem, nada do que não aconteça na vida real. Tanto que, em entrevista para a GloboNews (disponibilizada no fim desse post), o autor contou que Número Zero foi o romance que levou menos tempo para escrever - apenas um ano -, pois muito do que está lá são experiências pessoais da época em que ele trabalhava em jornais.

Outro tema que ocupa grande parte da trama é uma teoria da conspiração acerca da (não) morte de Mussolini. Um dos personagens do jornal acredita que o ditador se mandou pra Argentina (sempre ela) após a Segunda Guerra Mundial, e aí ele gasta páginas e páginas falando sobre pessoas e fatos que eu, desalinhada com a história italiana, li de uma forma bem aborrecida.

Ah, uma curiosidade: todos os personagens fictícios têm nomes de fontes do Windows: Maia, Colonna, Braggadocio etc.

Agora fiquem com as frases de Umberto Eco que selecionei durante minha leitura:

"- Vocês jovens, vocês jovens querem logo se atirar aos contemporâneos."

"E quem vive cultivando esperanças impossíveis já é um perdedor. E, quando percebe isso, aí sim se entrega."


"Os perdedores, assim como os autodidatas, sempre têm conhecimentos mais vastos que os vencedores, e quem quiser vencer deverá saber uma única coisa e não perder tempo sabendo todas, o prazer da erudição é reservado aos perdedores. Quanto mais coisas uma pessoas sabe, menos coisas deram certo para ela."

"Vivemos na mentira e, se você sabe que lhes estão mentindo, precisa viver desconfiado."

"Não são as notícias que fazem o jornal, e sim o jornal que faz as notícias."

"Mas sabe quando foi que comecei a ser mesmo um perdedor? Quando comecei a achar que sou um perdedor. Se não tivesse ficado ruminando isso, teria vencido pelo menos uma mão."

"Não há sucesso maior que o encontro agradável entre dois fracassos."

"porque quem não tem recordações na memória as toma da arte."

"A questão é que os jornais não são feitos para divulgar, mas para encobrir as notícias."

"A vida é suportável, basta contentar-se."

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A gente lê + Frases de Tolstói em Anna Kariênina

Escrito entre 1873 e 1877 por Liev Tolstói, Anna Kariênina é um dos maiores clássicos da literatura - e não só por causa de suas mais de 800 páginas. É bem possível que, embora nunca tenha lido a obra, você saiba que o livro aborda o adultério-escândalo cometido por uma mulher da alta sociedade russa. Sim, o livro é sobre isso mesmo... mas é também muito, muito mais.

A narrativa começa com o galã-ostentação Stiepan Arcadievitch atravessando uma crise matrimonial desde que sua esposa, Dária, descobriu que ele tem um affair com outra. Stiepan não quer o divórcio, mas, ao mesmo tempo, justifica a traição dizendo que a parceira perdeu os atrativos depois de tantos filhos. Dado o impasse, quem é convocada para acalmar os ânimos do casal? A irmã do galinhão, Anna Kariênina.

A ricaça consegue salvar a pele do irmão, mas, dias depois de sua conversa com Dária, ela conhece o militar Vronski. E daí surge uma paixão nervosa, que é também a perdição da personagem que dá o título da obra. Casada com um homem mais velho muito respeitado, Anna é banida pela sociedade e perde até mesmo o direito de ver o filho.

O que mais me chamou atenção na história é que, enquanto Stiepan consegue manter a vida dupla e o respeito, a infidelidade de Anna custa praticamente tudo o que ela tinha. Ambos os irmãos viviam um casamento frustrado, mas só para ele a saída era possível. Pesado, não?

O enredo ainda trás o núcleo encabeçado por Liêvin, um camponês cheio de romantismo e idealismo. Considerado por muitos o alter ego de Tolstói, é esse personagem que vai dar voz a muitas questões do autor sobre religiosidade, política e as instáveis relações entre servos e patrões que alvoroçavam a Rússia naquela época (e que, mais tarde, culminariam na Revolução). 

Como de costume, marquei algumas frases e citações que me chamaram atenção durante a leitura.

"Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira."

"Parecia, a cada um, que a vida que ele mesmo levava era a vida autêntica e a vida do amigo não passava de uma miragem."

"E de repente os dois se deram conta de que, embora fossem amigos, embora tivessem comido e bebido juntos, o que deveria aproximá-los ainda mais, cada um pensava apenas em si e nata tinha a ver com o outro."

"Se nossos maridos não falassem, veríamos as coisas como são."

"se há tantas cabeças quantas são as maneiras de pensar, há de haver tantos tipos de amor quantos são os corações."

"São todos gente, também, são homens e pecadores, como nós: para que se irritar e brigas?"

"todo esse mundo não passa de um pequeno bolor que cresceu na crosta do planeta."

"o que se esquece, acaba."

"Muitas famílias permanecem durante anos nas antigas condições, odiosas para ambos os cônjuges, só porque não há plena discórdia nem plena harmonia."

"a luta pela existência e o ódio são as únicas coisas que unem as pessoas"

"Nós todos, como criaturas razoáveis, não podemos viver de outra maneira, senão para a pança."

"Se o bem tiver uma causa, já não é o bem; se tiver uma consequência, uma recompensa, também já não é o bem. Portanto, o bem está fora da cadeia de causa e consequência."

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Tetralogia Napolitana de Elena Ferrante vai virar série de TV

Para tudo! A Tetralogia Napolitana de Elena Ferrante* (e que eu tanto indico) vai virar uma série de TV de 32 episódios e quatro temporadas (uma para cada volume da coleção?).

Dirigido pelo italiano Saverio Constanzo, o programa estreia em 2018 e terá a colaboração - por e-mail, claro - da própria autora dos livros.

De acordo com o New York Times, os produtores da série ainda não fecharam acordo com uma produtora americana (e, antes disso, ficamos sem saber se teremos a chance de assistir a tudo ou não).

*A Tetralogia napolitana é formada pelos livros A Amiga Genial, História do Novo Sobrenome, História de Quem Foge e Quem Fica e História da Menina Perdida (este último ainda não foi lançado no Brasil).

Leia uma resenha sobre os livros de Elena Ferrante.
 

 

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