Shereland - Blog

A gente lê + Frases de Tolstói em Anna Kariênina

Escrito entre 1873 e 1877 por Liev Tolstói, Anna Kariênina é um dos maiores clássicos da literatura - e não só por causa de suas mais de 800 páginas. É bem possível que, embora nunca tenha lido a obra, você saiba que o livro aborda o adultério-escândalo cometido por uma mulher da alta sociedade russa. Sim, o livro é sobre isso mesmo... mas é também muito, muito mais.

A narrativa começa com o galã-ostentação Stiepan Arcadievitch atravessando uma crise matrimonial desde que sua esposa, Dária, descobriu que ele tem um affair com outra. Stiepan não quer o divórcio, mas, ao mesmo tempo, justifica a traição dizendo que a parceira perdeu os atrativos depois de tantos filhos. Dado o impasse, quem é convocada para acalmar os ânimos do casal? A irmã do galinhão, Anna Kariênina.

A ricaça consegue salvar a pele do irmão, mas, dias depois de sua conversa com Dária, ela conhece o militar Vronski. E daí surge uma paixão nervosa, que é também a perdição da personagem que dá o título da obra. Casada com um homem mais velho muito respeitado, Anna é banida pela sociedade e perde até mesmo o direito de ver o filho.

O que mais me chamou atenção na história é que, enquanto Stiepan consegue manter a vida dupla e o respeito, a infidelidade de Anna custa praticamente tudo o que ela tinha. Ambos os irmãos viviam um casamento frustrado, mas só para ele a saída era possível. Pesado, não?

O enredo ainda trás o núcleo encabeçado por Liêvin, um camponês cheio de romantismo e idealismo. Considerado por muitos o alter ego de Tolstói, é esse personagem que vai dar voz a muitas questões do autor sobre religiosidade, política e as instáveis relações entre servos e patrões que alvoroçavam a Rússia naquela época (e que, mais tarde, culminariam na Revolução). 

Como de costume, marquei algumas frases e citações que me chamaram atenção durante a leitura.

"Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira."

"Parecia, a cada um, que a vida que ele mesmo levava era a vida autêntica e a vida do amigo não passava de uma miragem."

"E de repente os dois se deram conta de que, embora fossem amigos, embora tivessem comido e bebido juntos, o que deveria aproximá-los ainda mais, cada um pensava apenas em si e nata tinha a ver com o outro."

"Se nossos maridos não falassem, veríamos as coisas como são."

"se há tantas cabeças quantas são as maneiras de pensar, há de haver tantos tipos de amor quantos são os corações."

"São todos gente, também, são homens e pecadores, como nós: para que se irritar e brigas?"

"todo esse mundo não passa de um pequeno bolor que cresceu na crosta do planeta."

"o que se esquece, acaba."

"Muitas famílias permanecem durante anos nas antigas condições, odiosas para ambos os cônjuges, só porque não há plena discórdia nem plena harmonia."

"a luta pela existência e o ódio são as únicas coisas que unem as pessoas"

"Nós todos, como criaturas razoáveis, não podemos viver de outra maneira, senão para a pança."

"Se o bem tiver uma causa, já não é o bem; se tiver uma consequência, uma recompensa, também já não é o bem. Portanto, o bem está fora da cadeia de causa e consequência."

Livros relacionados

Anna Karenina

Posts relacionados

A gente lê: A Morte de Ivan Ilitch e Senhores e Servos

Siga o Shereland

Comentários

Deixe um comentário

http://

Nenhum comentário. Seja o primeiro!


Tetralogia Napolitana de Elena Ferrante vai virar série de TV

Para tudo! A Tetralogia Napolitana de Elena Ferrante* (e que eu tanto indico) vai virar uma série de TV de 32 episódios e quatro temporadas (uma para cada volume da coleção?).

Dirigido pelo italiano Saverio Constanzo, o programa estreia em 2018 e terá a colaboração - por e-mail, claro - da própria autora dos livros.

De acordo com o New York Times, os produtores da série ainda não fecharam acordo com uma produtora americana (e, antes disso, ficamos sem saber se teremos a chance de assistir a tudo ou não).

*A Tetralogia napolitana é formada pelos livros A Amiga Genial, História do Novo Sobrenome, História de Quem Foge e Quem Fica e História da Menina Perdida (este último ainda não foi lançado no Brasil).

Leia uma resenha sobre os livros de Elena Ferrante.
 

 

Posts relacionados

Frases de Elena Ferrante em A Amiga Genial e História do Novo Sobrenome
Por que a tetralogia de Elena Ferrante é irresistível?
Último livro da tetralogia de Elena Ferrante chega às livrarias no fim do mês

Siga o Shereland

Comentários

Deixe um comentário

http://

Nenhum comentário. Seja o primeiro!


Livro 13 Porquês virou série da Netflix

Em março de 2015, a nossa colaboradora <3 especial <3 , Juliana, escreveu uma resenha do livro Os 13 Porquês, de Jay Asher. Veja o resumo da história que ela fez na época:

O estudante Clay Jensen recebe pelo correio um pacote de fitas cassetes gravadas por sua colega de classe Hannah Baker - a aluna que cometeu suicídio. As fitas guardam histórias dos 13 responsáveis por seu fim trágico, e Clay só quer entender qual sua parte nisso.

Pois bem, agora volto a falar sobre o livro para contar que ele virou uma série de 13 episódios da Netflix, produzida por Selena Gomez (isso mesmo, a cantora). A estreia é no próximo 31 de março, mas, por enquanto, tem o teaser para acalmar a sua ansiedade.

Posts relacionados

13 razões para ler "Os 13 Porquês" de Jay Asher
Teste

Siga o Shereland

Comentários

Deixe um comentário

http://

Nenhum comentário. Seja o primeiro!


A (não) interpretação de textos literários, por Flannery O'Connor

Quantas vezes, ao escutar seu professor de literatura divagando sobre as inúmeras interpretações de um texto, você não pensou: "mas será que o escritor quis mesmo dizer tudo isso"? Pelo visto, a resposta é não, de acordo com Flannery O'Connor, uma escritora americana do século XX muito renomada.

Eu explico: em 1961, um professor de inglês e seus alunos tiveram um impasse na análise de um dos contos da autora, É Difícil Encontrar Um Homem Bom. Para chegar a uma conclusão precisa, eles decidiram escrever a O'Connor, que ficou, como ela mesma descreveu na resposta, "em estado de choque". Segundo a escritora, aquele monte de interpretação não só era equivocado, como também era inútil. Veja só o último parágrafo da resposta esmagadora da mulher:

"O significado de uma história deve crescer na medida em que o leitor reflete sobre ele, mas não pode ser captado em uma única interpretação. Se os professores costumam tratar uma história como se fosse um caso de investigação para o qual qualquer resposta é crível desde que seja aceitável, acho que os alunos nunca vão aprender a gostar de ficção. Muita interpretação certamente é pior que pouca. Não há teoria que supra a falta de sensibilidade."

Muito boa, né? Ah, já que você leu até aqui, vou aproveitar para recomendar a fonte de onde peguei essa carta, o livro Cartas Extraordinárias, de Shaun Usher. Trata-se de uma reunião de 125 correspondências históricas escritas por grandes personalidades (tipo Elvis Presley) e desconhecidos (como a mulher que escreveu para se justificar o abandono do filho). Para a gente que gosta de literatura, tem grandes atrativos, como cartas de Jack Kerouac, Hemingway, Anïs Nin e muitos outros.

Posts relacionados

Frase de Karen Blixen sobre o encanto de escrever uma história
Como ler um livro difícil, por Lila Cerrullo

Siga o Shereland

Comentários

Deixe um comentário

http://

Nenhum comentário. Seja o primeiro!