No rodapé

Fatos aleatórios, resenhas despretensiosas, curiosidades gostosas, detalhes escondidos e histórias esquecidas sobre o mundo dos livros (e de seus autores)

As últimas frases de grandes personagens da literatura

É sempre assim: esse autores cruéis fazem a gente se encantar por uma estória e, quando vai chegando no auge da trama, matam nosso personagem favorito.

Separei as frases ditas por alguns dos nossos heróis um pouquinho antes de morrerem. Cuidado, porque esse post certamente tem spoilers! Por isso, coloquei primeiro o título do livro no qual está aquela cena para que você possa pular aqueles que ainda não leu.

Otelo, (William Shakespeare)


"Beijo-te antes de te matar. Nenhuma saída era possível, mas esta: matando-me, morro depois de te beijar", Otelo antes de se matar abraçado à Desdêmona.

Romeu e Julieta (William Shakespeare)

"Deste modo, com um beijo, deixo a vida.", Romeu para a supostamente morta Julieta.
"Teus lábios estão quentes", Julieta depois de beijar o companheiro morto.

Hamlet (William Shakespeare)


"O resto é silêncio", Hamlet antes de morrer envenenado.

Harry Potter (J.K. Rowling)


"Severo... por favor...", Dumbledore ao ver Snape lhe apontando a varinha.

Os Sofrimentos do Jovem Werther (J.W. Goethe)

"Dá meia-noite. Que seja assim! Carlota! Adeus Carlota! Adeus", Werther em conversa imaginária com a amada antes de se matar  

O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry)

"Pronto... Acabou-se", o Principezinho depois de ser picado pela serpente

Quincas Borba (Machado de Assis)

"Guardem a minha coroa, murmurou. Ao vencedor..." , Quincas Borba em meio ao último delírio.

Grande Sertão: Veredas (Guimarães Rosa)


"Tu vai, Riobaldo. Acolá no alto, é que  o lugar de chefe.Com teu dever, pela pontaria mestra: que lá em riba, de lá tu tu mais alcança... Constante que, aqui, o negócio está garantido" , Diadorim convencendo Riobaldo a tomar posição durante a derradeira batalha contra Hermógenes.

 

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4 motivos para ler Vincent, de Barbara Stock (a biografia de Van Gogh em HQ)

Em 1988, Vincent Van Gogh, então com 35 anos, decidiu partir sozinho para Arles, no sul da França. Ele estava decidido a ganhar dinheiro com seus quadros e, para isso, acreditava que precisava da inspiração de um lugar bonito e cheio de natureza. Chegando no novo lar, o pintor começou a trabalhar obsessivamente, produzindo suas obras mais famosas. Por outro lado, a solidão e algumas desilusões agravam seus transtornos de humor: ele cortou a orelha, embarracou em público e acabou indo para sua primeira internação psiquiátrica.

É esta mescla de surto criativo e mental que Barbara Stock mostra na linda Vincent, uma 'biografia' em quadrinhos de Van Gogh. Para contar a história - e é aqui que está o ponto alto da obra -, Stock usou o tipo de traço do próprio artista, e o resultado é muito, mas muito bonito. Me esforcei para separar só quatro quadrinhos para vocês darem uma olhadinha:

1. Van Gogh criando Doze Girassóis Numa Jarra (1988)

2. Referência a Noite Estrelada, obra de 1889

3. Momento em que o artista surta e corta a orelha para presentear uma prostituta

4. Essa sequência não narra nada demais, mas achei tão sutil, que quis colocar aqui :)

O meu único alerta é: não esperem se tornar experts em Van Gogh depois de Vincent. A HQ é bem superficial e apenas cita, sem explicar, episódios.

Curtiu? Está por R$ 21,90 na Amazon.

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Infográfico mostra a fórmula para se escrever um best-seller

A famosa livraria inglesa Waterstones analisou cem dos livros mais vendidos da última década para descobrir qual é a fórmula para se escrever um best-seller:

1. Escreva um livro de suspense contextualizado nos dias atuais

Dos cem livros pops analisados, 35% são thrillers (suspense) e 33% são estórias contemporâneas. Ainda aparecem na lista os romances históricos, jovens-adultos, ficção científica e, já em menor proporção, romances e livros de humor.

2. Tenha experiência

Antes de lançar um sucesso, os autores de best-sellers já tiveram uma média de 13 livros publicados e quatro prêmios ganhos.

3. Escreva uma saga protagonizada por um detetive homem e americano

Das estórias que vendem:

55% têm protagonistas homens
43% se passam na América (imagino que, quando dizem 'América', eles se referem aos Estados Unidos)
41% integram uma série (saga ou trilogia)
41% foram adaptados para a TV ou cinema
16% são políticos ou controversos
12% são protagonizados por um detetive ou advogado
8% têm criaturas mágicas
5% são baseados em fatos reais

4. Não use um verbo em seu título    

34% começam com um artigo definido ('O' ou 'A')
84% não têm verbo
35% são compostos por quatro ou mais palavras

No fim, a livraria 'criou' o mais novo best-seller do mercado 'The Crime Law Protocol'

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Filho de peixe... 5 filhos de escritores que também arrasam na literatura

Para comemorar o Dia dos Pais, resolvemos fazer um compilado de filhos de escritores que seguiram os passos dos progenitores e também se deram bem na literatura.

1. Erico e Luis Fernando Veríssimo

É sem dúvida a dupla de pai e filho escritores mais bem-sucedida talvez do mundo: obras de ambos entraram para a lista dos 100 livros essenciais da literatura brasileira da Revista Bravo - Érico com a série O Tempo e o Vento, e Luis Fernando com O Analista de Bagé.

Mas você pensa que a casa deles era uma miscelânia só? Imagine! Luis Fernando já afirmou em entrevistas que ele jamais conversou com o pai sobre literatura.

2. Mario e Antonio Prata

Conheci o trabalho do filho primeiro, por causa da coluna que escreveu por muitos anos para a última página da revista Capricho. Quando finalmente li uma crônica escrita pelo pai, me espantei: o tom leve e sobretudo engraçado também estava ali! A afinidade de escrita é tanta que, em 2005, Antonio auxiliou Mario a escrever a novela global Bang Bang (aquela que todo mundo odiava menos eu).

Ambos continuam parceiros e ativos. O pai lançou um livro com entrevistas fictícias recentemente (Mario Prata Entrevista uns Brasileiros), enquanto Antonio tem coluna dominical na Folha de S. Paulo. Ouvi falar que sempre que o filho cai para as veredas da política, Mario lhe envia uma reprimenda de uma única palavra pedindo que ele retorne as origens: "Crônica".

3. Orígenes e Ivan Lessa

O escritor paulista Orígenes casou-se com a prima-irmã e cronista Elsie. O resultado? Ivan, cronista e um dos principais colaboradores do lendário O Pasquim.

Orígenes faleceu em 1986 e Ivan em 2012.

4. Carlos e Maria Julieta Drummond de Andrade

Aos 13 anos, Maria Julieta mantinha um caderno de textos (que Drummond depois tornaria público), aos 17, publicou a novela A Busca. Precoce, né? Mais famosas são as crônicas e memórias que ela começou a escrever para O Globo no fim dos anos 70.
A dupla era muito amiga, tanto que morreu no mesmo ano (1987) com apenas doze dias de diferença. O Shereland já contou essa história aqui.

5. Jack e Jan Kerouac

Aqui temos os controversos da lista. Quando Joan Haverty engravidou, ela abandonou o errante Kerouac. E aí o escritor decidiu duvidar que Jan era mesmo sua filha - mesmo depois da paternidade ter sido comprovada com um teste de DNA. Aliás, esta ocasião foi o primeiro dos dois encontros entre pai e filha. No segundo, Jan deu uma passadinha na casa do beat antes de partir para uma road trip para o México - tal como o pai costumava fazer quando moço. Joan escreveu dois romances que dizem ser bons: Baby Driver e Trainsong (nenhum traduzido pro português, mas disponíveis em inglês na Amazon.com).
Ele morreu de cirrose com 47, ela faleceu da mesma doença aos 44.

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Frases e versos de Matilde Campilho em Jóquei

Pelo menos por essas redondezas onde cantam os sabiás, a portuguesa Matilde Campilho é a nova musa da literatura. Seu livro de estreia, Jóquei, foi o mais procurado e vendido na Flip deste ano - isso depois da poeta ter participado de uma mesa e deixado público e imprensa embasbacados.

Eu comprei um exemplar (está R$ 34,00 na Amazon) para mim e consegui entender o burburinho logo com os primeiros poemas. Não sei se é o jeito casual de escrever (alguns poemas são tipo crônicas), a identificação com os temas (Matilde é de 1982 e fala até de Cristiano Ronaldo nos textos)... só sei que ler Jóquei foi uma experiência bonita.

Selecionei as frases e os versos preferidos, vejam só:

"então acho que o amor é o contrário do fim."

"No que depender do amor, para além da paixão e para além do desejo: ninguém mais se afogará."

"Quando não pude mais com o silêncio escutei as canções."

"Já não sei o que acha o brasileiro porque hoje eu acho que brasileiro ou argelino são precisamente a mesma coisa: tudo o que respira, brota."

"Algumas histórias têm a duração exata de uma música de rock, outras se dividem em cantos. No intervalo dá para comprar pipocas."

"Afine diariamente a pontaria e reze para que nunca seja necessário o disparo."

"Acho que a rispidez é um punhal rasgando sulcos de ternura."

"Seja como for o amor ainda me faz bastante fome."

"Cuidado rapaziada,
tenham atenção a esse nó
que acontece no estômago
no preciso momento em que
esperam por vosso amante
na pracinha junto à igreja.
Ou é úlcera ou é amor."

"já chega de se increver
nesse campeonato do desapego
você sempre perde já deveria saber"

"acho que, quando a gente telefona
fora de época, é porque está dando
uma ligadinha para o passado. não
para a pessoa realmente."

"E apesar dos bofetões
Do tempo invertido
Apesar das visitas
Breves do pavor
A beleza é tudo
O que permanece"

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2 Comentários

Patrícia Drumond 5 de Outubro de 2016 às 14:40

Matilde é simplesmente genial.

João 25 de Dezembro de 2022 às 12:53

Poesia sem profundidades que tocam em nossas águas rasas sem criar ondas que possam nos impulsionar a sair de onde não queremos sair.

Se não me sangra, não vai fazer diferença no que eu penso sobre nada.