Transtornos psicológicos inspirados pela literatura

Transtornos psicológicos inspirados pela literatura

Uns dois anos depois da minha amiga Samira me sugerir este post, aqui está ele! Pesquisei uma lista de complexos e síndromes - que são condições, não necessariamente doenças -  cujos nomes foram baseados em personagens ou autores da literatura.

Jamais estudei qualquer coisa relacionada à psicologia, portanto, se encontrarem qualquer erro, por favor, me corrijam nos comentários :)

Síndrome de Peter Pan

Basta lembrar que o personagem de J.M. Barrie é o menino que não cresce nunca para fazer a associação. Sabe aquele adulto meio narcisista que continua se comportando como criança e se recusa a assumir responsabilidades? Pois é... A síndrome não é considerada uma doença, mas pode ser amenizada com terapia.

Complexo de Wendy 

Se Peter Pan é a eterna criança, quem é Wendy? É a garota que está fazendo as vezes da mãe daqueles meninos perdidos. Por causa disso, a personagem passou a dar nome à necessidade extrema que algumas pessoas têm de satisfazer os outros, de cuidar e até de se sacrificar pela família, pelo namorado, pelos amigos, etc. De acordo com o site Saúde Dicas, o traço esconde medo de abandono e rejeição.

Complexo de Cinderela

Tem a ver com a eterna espera pelo príncipe ou princesa encantados, ou seja o parceiro perfeito (e inexistente) que vai proteger e assumir as rédeas da vida do felizardo.

Síndrome de Rapunzel

Não, o problema não está associado à fobia de cabeleireiros, mas à tricotilomania e à tricofagia. Tecla SAP: vontade de arrancar os próprios cabelos e até mesmo de comê-los.

Síndrome de Stendhal

Um dia, o autor dos clássicos franceses O Vermelho e o Negro e A Cartuxa de Parma foi visitar a Basílica de Santa Croce em Florença, na Itália, e praticamente teve um treco. Os afrescos do lugar eram tão lindos, que Stendhal começou a ter palpitações. Por ter sido o primeiro a registrar esse efeito de deslumbre diante de uma obra de arte, o escritor dá nome à síndrome que a Wikipedia chama de 'sobredose de beleza'. 

Síndrome de Alice no País das Maravilhas

Lembra dos trechos do livro de Lewis Carroll em que Alice cresce e encolhe, dependendo do líquido ou biscoitinho que consome? Pois há quem sofra surtos alucinógenos que fazem com que o indivíduo acredite que o próprio corpo e o espaço ao redor estejam mudando de tamanho. Trata-se de um distúrbio na percepção, que embaralha as sensações e a visão (embora os olhos continuem funcionando normalmente). 

Síndrome de Gabriela 

A música Modinha para Gabriela é inspirada no livro Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado, certo? Mas tem algo a mais. Ao criar a estrofe "Eu nasci assim/ Eu cresci assim/ E sou mesmo assim/ Vou ser sempre assim/ Gabriela/ Sempre Gabriela”, sem querer, Dorival Caymmi estava descrevendo um transtorno psicológico bem comum: a negação da mudança. Pessoas com este mal costumam ser pessimistas, resistentes e, em geral, têm muito medo de receber críticas. 

Síndrome de Dorian Gray

Em O Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde criou um personagem que, depois de ter sido pintado em um quadro, não envelhecia mais - era o retrato que criava rugas em seu lugar. A história inspirou mais tarde o nome do transtorno de quem tem medo patológico de envelhecer (e muitas vezes recorre a cirurgias plásticas e coisas do tipo).

Síndrome de Huckleberry Finn  

O clássico As Aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain, é protagonizado por um garoto largado que não tem ninguém para forçá-lo a honrar suas obrigações. Cientistas resolveram compará-lo a adultos que, por terem tido uma infância difícil, mantêm o comportamento errático pelo resto da vida.

Síndrome de Madame Bovary 

A adúltera de Gustave Flaubert inspirou o nome do mal que acomete os sempre insatisfeitos, que acham que a realidade nunca está à altura de suas ilusões. 

Síndrome de Otelo 

Iago não se conforma com o sucesso do mouro Otelo, que, além de tudo, acaba de se casar com a gatíssima Desdêmona. Então o que o vilão faz? Chega no ouvidinho de Otelo e insinua que Desdêmona está de caso com outro. O ciúme é tanto que, bom, a peça de Shakespere termina numa desgraça só. Anos depois, a tragédia seria usada também para nomear aqueles que sofrem de ciúme doentio, daquele tipo que a pessoa realmente enxerga evidência onde não existe nada.

Síndrome de Pollyanna

Não sei se este clássico infanto-juvenil de Eleanor H. Porter continua sendo lido, mas sei que ele inspirou o desígnio das pessoas que são patologicamente otimistas. Para quem não se lembra, Pollyanna inventa o jogo do contente para amenizar o fato de que sua vida estava ferrada até não ter mais por onde.

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Comentários

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1 comentário

Aline 30 de agosto de 2016 às 16:55

Muito bem abordado as referências literárias dos transtornos que nós conhecemos. Muito bem escrito. Obrigada!