A gente lê - Ver: Amor, de David Grossman

A gente lê - Ver: Amor, de David Grossman

ver-amor.gifVer: Amor, de David Grossman, é o livro mais conflitante que li na vida. 

Eu cheguei a abandonar a obra por vinte dias e só consegui terminar pulando linhas, parágrafos e até páginas inteiras. Sério. Eu chegava a questionar por que o autor havia se dadoo direito de publicar aquele emaranhado confuso e tantas vezes sem noção. Ele nunca ouviu falar que menos é mais? 

E aí você deve estar se perguntando por que eu simplesmente não larguei o livro. Porque tem momentos geniais! Cortando as viagens, o mimimi e as tentativas de fazer literatura fantástica, existe algo de muito bom ali, e sei que um dia vocês ainda vão me cobrar por esse post, pois há boatos de que Grossman levará um Prêmio Nobel nos próximos anos.

Mas chega! Vamos ao que interessa: a obra... Bom, eu diria sem muita segurança que Ver: Amor conta a história de um israelense pertencente à geração pós-Holocausto aprendendo a lidar com a carga histórica de ser judeu. 

Dividida em quatro partes, a trama começa na infância de Momik, um menino extremamente fantasioso que vive cercado de adultos traumatizados (e até um pouco endoidecidos) por algo que ele não sabe o que é. Momik ouve menções sobre a "Terra de Lá" (Polônia) e a "Besta Humana" (Hitler), mas ninguém para para lhe dar explicações factuais. E aí, claro, ele é obrigado a descobrir por si. Ah, nessa época, aparece o tio-avô do garoto que todos achavam ter morrido num campo de concentração. Fuçando nas tralhas do senhorzinho, Momik descobre que ele havia sido um escritor de histórias para crianças - segurem essa informação que ela será importante logo menos.

Na segunda parte, Momik é um escritor já adulto que está se debatendo para parir a biografia do escritor polonês Bruno Schulz . E o bicho pega... Para vocês terem uma noção, alguns capítulos serão narrados pela oceano (que é uma mulher), pois o tal do Bruno havia ganhado guelras para acompanhar um cardume de salmões. Pois é, eu avisei que era dose. Foi exatamente nessa fase em que eu abandonei o livro temporariamente.

Além de ser um texto extremamente hermético e abstrato, o que me incomodou foi o tom mau-humorado e depressivo da narrativa. Vejam só um pedaço da fala de Momik com o filho:

"Fique sempre na fila do meio. Não revele mais do que você precisa. Lembre-se de que as coisas são sempre diferentes do que aparentam. Nunca seja muito feliz. Não diga 'eu' com tal liberdade. E, em geral, tente sair bem das coisas, sem cicatrizes desnecessárias".

Com um fim absurdo e que eu não entendi, a segunda parte dá lugar para a terceira, em que Momik contará a história do vovô Wasserman, aquele velhinho que havia aparecido no início do livro, lembram? Aqui é mais interessante. Enquanto estava preso no campo de concentração, o vovô havia encontrado um oficial alemão que era fã de suas histórias. Eles então fazem um trato: o escritor conta histórias todos os dias em troca de um favor do oficial que não vou revelar aqui. A ideia é boa e poderia ter rendido, mas, infelizmente Grossman juntou personagens de outras partes do livro e aí tudo fica confuso de novo.

Finalmente, chegamos à parte final do livro, quando o mesmo Momik resolve fazer uma enciclopédia sobre o Holocausto. Sim, o fechamento do livro será dado em forma de verbetes.

Praticamente um sanduíche com tudo dentro.

Se você discorda de mim, eu lhe imploro que deixe seus comentários no final do post. Quero muito que alguém me explique a lógica do livro, se é que ela existe.

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