A gente lê: Azul É a Cor Mais Quente (e compara a HQ com o filme)

A gente lê: Azul É a Cor Mais Quente (e compara a HQ com o filme)

hq-azul-e-a-cor-mais-quente.jpgIsso mesmo, antes de ser o filme sensação de 2013, Azul É a Cor Mais Quente é a HQ de estreia da francesa Julie Maroh.

Num traço lindo e delicado, o livro já começa com uma bomba: Clementine morreu e seu último pedido foi que a namorada Emma lesse o diário que manteve durante a adolescência. Não me xinguem, isso não é spoiler, pois está na primeira página.

É por estes textos que vamos conhecer uma estudante um tanto desajustada que, sem entender por quê, não via graça nenhuma em se relacionar com um cara mais velho do seu colégio. Um dia, Clementine cruza com uma menina de cabelo azul na rua que a fuzila com o olhar. A partir daí, a jovem começa a ter sonhos quentes com a desconhecida que a deixam bem culpada.

resenha-azul-e-a-cor-mais-quente.jpgResumidamente, a HQ mostra o que acontece quando o primeiro amor acontece de ser por alguém do mesmo sexo. 

É uma história doce, comovente, conturbada e muito, mas muito dramáaaatica. Aconselho que leia numa tarde de domingo trancado no quarto para poder chorar à vontade.

Comparando a HQ com o filme Azul É A Cor Mais Quente

O filme Azul É A Cor Mais Quente contempla apenas duas das três fases representadas na HQ, o que alivia o espectador da tragédia final. Ou seja, se você assistiu ao longa, vai se deparar com um desfecho bem diferente quando ler o livro.

Tive a sorte de ler antes de ver, e dispensaria fácil o filme, que achei deveras arrastaaaado. Pontuo a seguir as mudanças mais drásticas entre um e outro:

1. O nome da protagonista
No filme, Clémentine virou Adéle, sabe-se lá por quê.

2. O título 
O nome original do filme é La Vie d'Adéle (A Vida de Adele), o que já indica uma transformação narrativa. Se a HQ mostra como o encontro com uma menina de cabelo azul mudou a vida de uma adolescente, o filme é mesmo focado na vida da protagonista e nas diferentes sensações que vai encontrando ao longo de dez anos. Emma vira apenas uma coadjuvante.

3. A enrolação
O livro tem um pouco mais de 150 páginas e isso é mais do que o suficiente para dar conta do enredo. E aí me expliquem como conseguiram transformar isso num filme de três horas? Sério, não tinha história para tanto. 

4. O conflito
Um dos pontos mais bacanas da HQ é o fator descoberta: Clementine não escolheu gostar de Emma, o fato simplesmente aconteceu. E aí rolam uns conflitos sérios de aceitação, a protagonista chega a ter nojo de si mesma. Acredito que isso esteja mais próximo da realidade das meninas que amam meninas. Já o filme, salta o drama e vai logo para aquelas cenas longas de "vamos ver" que devem ter sido bem responsáveis pelo interesse do público pelo longa.

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2 comentários

Ju Eu 23 de abril de 2015 às 16:34

Deu vontade de ler a HQ, porque eu senti no filme exatamente falta do drama, da aceitação que vi agora que tem no quadrinho.

Gabriela 28 de abril de 2015 às 03:10

Me pede emprestado, Ju!