Extraordinário não é sobre bullying, é sobre a gentileza com o próximo

Extraordinário não é sobre bullying, é sobre a gentileza com o próximo

por Juliana*,

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Extraordinário é o primeiro livro de R. J. Palácio. A escritora teve a ideia depois de ver seus filhos se assustarem com o rosto de uma criança em uma sorveteria. A autora passou a imaginar como seria difícil a vida daquela menina e dos pais dela.

A partir disso, construiu August Pullman, um menino que nasceu com uma deformidade no rosto. Ele foi educado em casa, superprotegido pelos pais e brincava com um capacete de astronauta na rua. 

De repente, o menino sai desse ambiente aconchegante e é jogado como "um cordeiro indo para o abate", como bem define seu pai, para o já naturalmente cruel ambiente escolar.

É um livro sobre bullying, você já deve ter adivinhado, mas não vá esperando que este tema seja abordado de forma muito realista ou pesada. A mensagem aqui é positiva e fãs de sick-lit menos dramáticos vão gostar. O atraente do livro, para mim, não é a vida de Auggie.

A partir de toda a percepção de bullying de August - que, aliás, é simples e conformada - temos também a visão de outros personagens envolvidos, amigos e familiares.

Vou falar aqui da mais interessante para mim: Olivia, a irmã de August. Via talvez seja quem joga luz sobre como você pode achar Extraordinário melhor do que um "livro sobre bullying".  Enquanto August sofre na escola seus próprios problemas, temos a visão do que acontece "enquanto isso" na mente de sua irmã - que também precisa de carinho e atenção.

Não apenas Via, mas Summer, Jack, Justin, Miranda...  todos que ganham voz acabam justificando algo importante no livro: cada pessoa possui problemas, e isso influencia suas escolhas - muitas vezes resultando no sofrimento (e no bullying) dos outros. 

Outra passagem interessante sobre isso, mas não darei spoiler: Daisy. O quanto estamos preocupados com o próprio umbigo às vezes. 

Claro que achei também que alguns seres humanos ali descritos são até que muito bondosos a partir da metade do livro, pois colocam a mão na consciência até que muito facilmente. A autora realmente levanta bandeira por uma "maioria da bondade", um mundo bonito com pessoas que têm corações bons sem grandes esforços, mas não estou aqui para a sociologia, OK? 

Vejo o livro como uma campanha de esperança. Mostrar "como seria se as pessoas se tornassem menos maldosas" a partir de um cenário que conhecemos. 

Ficam as lições:

Para quem pratica bullying: você poderia ser mais gentil, e receber o amor que te falta e faz agir assim.

Para quem sofre: não se prenda ao sofrimento, responda com gentileza para atrair atitudes da mesma maneira.

Mas de que forma praticar tudo isso se, diferentemente dos personagens, as pessoas reais podem não ser tão generosas? Este é o motivo pelo qual você deveria dar uma chance ao livro. 

Para encerrar, deixo a melhor frase de Extraordinário:

"Toda pessoa deveria ser aplaudida de pé pelo menos uma vez na vida, porque todos nós vencemos o mundo." 
 *Esse texto foi escrito super de boa vontade pela Juliana, que é jornalista, leitora e queridíssima da equipe do Shere. Obrigadíssima, Juzi! <3

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1 Comentário

Giselle 29 de Maio de 2014 às 10:12

Concordo com você, o livro demonstra a capacidade boa das pessoas serem gentis com os diferentes e principalmente a disponibilidade da escola em abraçar a criança,independentemente da opinião dos pais, o que é rarissimo.