Frases de Rachel de Queiroz no Roda Viva

Frases de Rachel de Queiroz no Roda Viva

Já contei aqui no Shereland sobre o desentendimento que a entrevistada Rachel de Queiroz e o entrevistador Caio Fernando Abreu tiveram ao vivo durante o programa Roda Viva em 1º de julho de 1991. Para fazer aquele post, acabei assistindo ao programa duas vezes e separando alguns trechos e frases interessantes da escritora cearense, que, na ocasião, já estava com seus 80 anos e ficou segurando sua bolsa no colo durante toda a gravação <3 .

As frases foram tiradas da transcrição disponível no arquivo do programa.

Vale a pena:

"Não tenho nenhum prazer em escrever nada. Só escrevo mesmo porque é só o que sei fazer" 

"Ser pessimista é bom. Se você é pessimista, quando vêm as coisas ruins, você já esperava. Quando vêm as coisas boas, você tem uma surpresa agradável. "

"Acho que memórias é um striptease que não faço com prazer, a gente se narrar. E quem tem um instrumento de ficção para deixar, para descarregar os segredos e as frustrações ou o que seja, na ficção a gente já se diz, já se revela o mais que pode. Então, para que escrever memórias? Eu não tentaria." 

"Na verdade nem sou comunista nem sou reacionária, sou propriamente anarquista, sou só uma doce anarquista."

"Olha, gosto do ser humano, gosto da humanidade, gosto dos meus próximos e gosto dos distantes."

"Acho que literatura serve para ser literatura. Não sou engajada. Acho, pelo contrário, que a obra de arte engajada se abastarda, o escritor não tem direito de ser engajado. Se ele tem aquela convicção e se ele dá um testemunho do que viu e do que sente, muito bem. Mas se faz uma literatura com visgo de propaganda, engajado numa ideologia, porque é a ideologia dele, então ele ajeita a obra de arte dele a serviço daquela ideologia, não respeito essa obra de arte e não respeito esse estilo do artista."

"Não defendo absolutamente a validade literária da minha obra. Agora, as minhas posições, em relação ao meu testemunho, defendo com certa veemência."

"Parece que nasce uma porção de gente capaz, interessada em fazer determinado tipo de literatura naquele lugar, naquela época, depois se muda para o Rio Grande do Sul, muda para São Paulo, muda para a Bahia. E são como ciclos, não explico, mas apenas observo o fato." (sobre o excelente grupo de escritores nordestinos da década de 30)

"A vida eu acho que ensina surrando... Nunca acredito em final feliz, nunca vi final feliz para nada." 

"A morte é a grande companheira, é esperada, tomara que já chegue." (ela morreria apenas em 2003, aos 93 anos)

"Sou pessimista, mas, por causa dessa minha cara redonda, todo mundo pensa que sou alegre."

"Eu me arrependo de quase tudo. De ter nascido, de ter vivido, de ter feito tanta bobagem."

"Depois do livro escrito, eu me desinteresso dele e não gosto muito de pensar, porque só me lembro do que não gosto."

"a verdade é que queria fazer aquele grande livro que ainda não fiz."  

 

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1 comentário

José Lãndio 17 de novembro de 2017 às 09:41

Muito bom esse blog! A gente está sempre aprendendo nos esclarecendo sobre as faces da história sob diversos aspectos. Recentemente assistir ao filme Jango e tem sim um quê de caudilhismo sul-riograndense no jeito dele lidar com a política nacional. Nosso país é imenso e tem muitas historias. Eu nem sabia que Raquel de Queiroz era parente de José de Alencar e que tinha essa relação do Castelo Branco...