Capitu traiu Bentinho? Lygia Fagundes Telles opina - Parte 2

Capitu traiu Bentinho? Lygia Fagundes Telles opina - Parte 2

No ano passado, eu havia copiado aqui no Shereland um diálogo em que Lygia Fagundes Telles e Clarice Lispector especulavam se Capitu traíra ou não Bentinho, e acabavam concluindo que, sim, a moça era uma naja. Veja como Lygia reproduziu a discussão:

"Na minha primeira leitura confessei ter achado Capitu uma inocente e o marido, esse sim, um chato neurótico. Mas na segunda leitura mudou tudo, a dissimulada, a manipuladora era ela. Ele era a vítima. Clarice pediu cigarros, eram bons os cigarros colombianos? Franziu a boca e confessou que sempre duvidou da moça, Mulher é o diabo!"

Recentemente, porém, tive contato com um outro texto em que a escritora paulista muda de ideia após reler o trecho em que Bentinho recebe a notícia da morte do filho. Vejam só:

"E o nosso Bentinho, o que faz em seguida? Calmamente confessa que apesar de tudo jantou bem e foi ao teatro. Mas isso justo na noite em que ficou sabendo da morte desse moço? O homem é um monstro! ... Ah, esse cara sempre foi um neurótico. Se ao menos nessa noite tivesse apenas jantado, vá lá! mas jantar bem e depois ir pandegar? Comportamento de um perfeito psicopata".

Ambas as aspas foram tiradas de textos da Lygia. A primeira é da crônica Onde Estiveste Esta Noite, do livro de memórias Durante Aquele Estranho Chá; já a segunda vem de Rua Sabará, 400, um conto de Invenção e Memória em que a autora relembra a época em que estava escrevendo o roteiro do filme Capitu* junto com o maridão Paulo Emílio Salles. 

O problema é que Durante Aquele Estranho Chá foi publicado em 2002, dois anos depois de Invenção e Memória. Só que as duas obras são compilados de histórias escritas ao longo dos anos, portanto não dá para saber qual dos dois pareceres sobre a traição é mais recente. 

Enfim, dizem que Dom Casmurro é isso mesmo. A cada lida, uma impressão.  Eu só li uma vez e, na época, virei team Capitu :)

O roteiro de Capitu, por Lygia Fagundes Telles e Paulo Emílio Salles

Em 1968, Dom Casmurro foi adaptado (e modernizado) para os cinemas. Dirigido por Paulo César Saraceni, o roteiro do filme foi encomendado a ninguém menos que o cineasta Paulo Emílio Salles e sua esposa Lygia. A falecida Cosac Naify publicou o roteiro, que está sendo vendido por uma fortuna por aí.

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