A gente lê: Paixão Pagu

A gente lê: Paixão Pagu

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Em 2005, vi a Revista Veja acabando com a Pagu no lançamento de sua autobiografia, Paixão Pagu, e desde então, coloquei o livro na minha wishlist. Só agora conseguir ler, depois de encontrar a obra por R$ 10 naqueles estandes de ofertas da Bienal.

Na verdade, quando escreveu o texto que viria a se tornar sua autobiografia precoce, Pagu não tinha intenção de publicá-lo. Era o ano de 1940, ela estava presa por atividades comunistas e apaixonada pelo jornalista Geraldo Ferraz. "No alto de seus 30 anos" então, a escritora-jornalista-tradutora-pintora resolve escrever uma carta ao amado contando tudo o que tinha feito da vida até ali.

Pagu começa a história na pré-adolescência, quando era apenas uma garota deslocada e arteira chamada Patrícia Galvão. Engravida aos 14 anos de um filho que acaba não tendo e aí a narrativa salta rapidamente para o casamento forjado aos 18 cujo único intuito era a conquista da emancipação.

Para quem gosta de uma fofoquinha, infelizmente não há menção sobre o início do romance com Oswald de Andrade e a traição à Tarsila do Amaral. Pagu-narradora optou por ir direto para o casamento com o escritor que não foi nada de avassalador. O casal não tinha amor, e Oswald instituiu um relacionamento aberto que Pagu, no fundo, não aceitava.

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A história fica viciante mesmo quando a protagonista começa a trabalhar para o Partido Comunista depois de ter uma longa conversa com Luis Carlos Prestes. O PCB viu necessidade de que Pagu se proletarizasse e forçou-a a trabalhar em uma fábrica, onde ela deslocou o útero por carregar muito peso.

Depois de provar sua força, a escritora é colocada no Comitê Fantasma, sessão onde se faziam as ações sórdidas do partido. É aí que surge a velha história de que Pagu vendia seu corpo por informações secretas. Não é mentira. Mas lendo o depoimento, somos capazes de compreender seu lado, suas dúvidas e seu deslumbramento pela causa que realmente acreditava.

O relato termina lindamente, quando Pagu, em uma viagem à Rússia, tem um choque de realidade ao ver uma criança pedindo esmola em plena Praça Vermelha. 

Bom, vocês devem ter percebido que me encantei com Pagu. É o máximo uma personalidade tão achincalhada publicamente (quem se lembra da minissérie global Um Só Coração em que a moça foi retratada como a vaca destruidora do lindo casamento de Oswald e Tarsila?) ter o direito de se defender.

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O livro traz ainda depoimentos dos dois filhos da escritora, um autorretrato e um encarte com fotos belíssimas. Só tem um porém: a Bienal acabou, e vocês dificilmente terão a mesma sorte que eu. Fiz uma busca na internet, e a autobiografia está sendo vendida na faixa de de R$ 31 a R$ 42 :(

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