A gente lê: O Apanhador no Campo de Centeio

A gente lê: O Apanhador no Campo de Centeio

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Não adianta. Sai ano, entra ano, e O Apanhador no Campo de Centeio sempre está ali entre os clássicos dos clássicos. No mês passado, o livro apareceu em oitavo lugar em eleição das 100 obras mais inspiradoras de todos os tempos (saiba mais sobre essa pesquisa clicando aqui ).

Só que fazia quatro anos que eu tinha lido o primor de J.D. Salinger e já estava começando a duvidar do seu poder. Reli então só para comprovar: sim, O Apanhador é realmente tudo isso.

Holden Caulfield é um adolescente que acaba de tomar bomba em um renomado colégio interno. É a terceira vez que ele é expulso de uma escola e, aí, decide 'fugir' e dar um tempo perambulando por Manhattan antes de enfrentar seus pais.

Gente, é só isso. 

Sei de muita gente que leu (inclusive minha mãe) e ficou inconformada, porque o livro é um aglomerado de pensamentos instáveis de um pirralho. Ok, não dá para contra argumentar. Mas o que torna a obra tão forte é o texto. A proeza de Salinger foi, no alto de seus 30 anos, conseguir reproduzir a oralidade e a rebeldia de um menino de 16. Ou melhor, de qualquer adolescente de 16 anos.

Não se convenceu ainda? Então vou roubar as palavras do próprio Holden para tentar explicar por que acho O Apanhador tão legal:

"Bom mesmo é o livro que quando a gente acaba de ler fica querendo ser um grande amigo, do autor, para se poder telefonar para ele toda vez que der vontade. Mas isso é raro de acontecer."

Comigo é exatamente isso que acontece. À medida que leio, não consigo evitar de criar um laço com o personagem e, quando percebo, já estou torcendo para cruzar com ele por aí. 

Holden é um tanto ranzina? Sim, mas um monte de gente é. Ele sai criticando todo mundo? Até que sim, mas não diria que realmente despreza a raça humana, porque logo depois de um comentário ácido vem o arrependimento. E aí é que está a chave: o que mais atraia na obra é justamente a humanização do protagonista. Nós somos Holden. 

Duvida? Estou preparando um post com as melhores frases do livro. Deve sair nesta semana. Aguarde ;)

E aquela história de que O Apanhador no Campo de Centeio teria inspirado assassinatos famosos?

O livro foi citado como inspiração de Mark Chapman (o assassino de John Lennon), Robert John Bardo (que matou a modelo Rebecca Schaeffer) e John Hinckley (que atentou contra a vida do então presidente Ronald Reagan em 1981). Com isso, muito se questiona sobre o que existiria em O Apanhador no Campo de Centeio para estimular esse instinto.

Fiz algumas pesquisas pela internet para entender, mas encontrei muita conspiração e poucos fatos. Sendo assim, vou tentar responder baseada na minha leitura. De fato, Salinger consegue despertar nossa mais pura empatia com o personagem. Talvez seja por isso que Chapman tenha escrito "Para Holden Caulfield; De Holden Caulfield" em seu exemplar do livro. Ou seja, ele sentia uma profunda identificação com o protagonista. 

Mas o que não consigo entender é o que em Holden motivaria um crime, já que, na minha cabeça sã, o personagem tem um bom coração e, em nenhum momento, demonstra agressividade.

Caso você tenha lido O Apanhador e tenha se deparado com algum trecho suspeito, por favor, comente, porque estou curiosíssima para saber :)

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Comentários

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1 comentário

Ju A Melhor 16 de outubro de 2014 às 21:04

Tem razão!! Eu fiquei desejando encontrá-lo é saber o que diabos ele pensaria de mim.