A gente lê

Aqui contamos para você qual é o livro que a gente anda carregando na mochila. (Porque, acima de tudo, nós do Shereland somos leitores)

A gente lê: Memória de Minhas Putas Tristes + frases de Gabriel García Márquez no livro

Quando Memória de Minhas Putas Tristes foi publicado em 2005, já corria o boato de que a saúde mental de Gabriel García Márquez - então com 78 anos de idade - não estava lá essas coisas. Tanto é que os mais entendidos consideram esta uma obra menor na bibliografia do colombiano.

A trama é sobre um solteirão muy distinto que está prestes a completar noventa anos de idade e resolve passar a noite com uma adolescente virgem. Na hora H, o ancião acaba se apaixonando pela garota. Em suma, a obra fala sobre esperança, sobre o despertar a qualquer momento, com qualquer idade.

O livro é gostoso e simples - li em menos de 24 horas - e, apesar de não ser uma obra-prima, tem grandes frases, que, como sempre, separei para compartilhar com vocês:

"Também a moral é uma questão de tempo"

"Nessa época ouvi dizer que o primeiro sintoma da velhice é quando a gente começa a se parecer com o próprio pai."

"Maldição, pensei, como o rubor é desleal."

"Minha única explicação é que da mesma forma que os fatos reais são esquecidos, também alguns que nunca aconteceram podem estar na lembrança como se tivessem acontecido."

"Descobri, enfim, que o amor não é um estado de alma e sim um signo do zodíaco."

"a força invencível que impulsionou o mundo não foram os amores felizes e sim os contrariados."

"E me inquietou o fato de ela ser tão real a ponto de fazer aniversário."

 

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A gente lê: Hibisco Roxo, de Chimamanda Ngozie Adichie

Mal fechei o meu exemplar de Americanah - o primeiro romance que li de Chimamanda Ngozie Adichie -, e já comecei a procurar por Hibisco Roxo, o livro de estreia da escritora nigeriana, de 2003.

Desta vez, a protagonista da estória é Kambili, uma menina saindo da adolescência, que vive com os pais e o irmão em uma bela casa (não sei se é na capital). O pai é dono de uma fábrica de sucos e biscoitos, mas também é dono de um jornal libertário que bate de frente com o governo principalmente depois do país sofrer mais um golpe de Estado (para vocês terem uma ideia, as primeiras eleições democráticas na Nigéria aconteceu apenas em 2003!). O pai é um homem louvado pela comunidade e costuma  distribuir nairas a rodo para os mais precisados. Por outro lado, o homem (não me lembro de ter lido o nome do personagem) é católico fervoroso e acha que a família tem que seguir uma série de regras. Acho que essa contradição entre o bom homem público e o carrasco familiar é o grande cerne do enredo.

A trama começa quando o irmão de Kambili, Jaja, se rebela (e aí vamos descobrir que o hibisco roxo do título simboliza a busca pela liberdade). Dividido em três partes, o livro mostra o antes, o durante e o depois da revolta de Jaja.

O enredo é extremamente tenso, mas já percebi que os livros de Chimamanda vão além da estória. Uma das coisas mais legais de ler a autora é poder conhecer um pouco mais da Nigéria e de um povo que é muito pouco representado na literatura.

Vai encarar? Hibisco Roxo está sendo vendido por R$ 30,60 na Amazon.

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A gente lê: O Coronel e o Lobisomem, de José Cândido de Carvalho

Ler O Coronel e o Lobisomem, de José Cândido de Carvalho, é imaginar o narrador/protagonista sentado na sua frente, relatando os causos ocorridos com ele durante toda sua vida mágica.

Órfão de pai e mãe, o Coronel Ponciano de Azeredo Furtado foi criado pelo avô, um dono de terras e gado ricão do interior do Rio de Janeiro no começo do século XX. O homem queria que o neto seguisse o caminho das letras, mas o jovem só queria saber de vadiar na cidade. Numa dessas, o cara - que tinha passado pelo Exército - consegue derrotar meio no susto um corajosão do 'circo de cavalinhos' e ganha a patente de coronel.

Com a morte do avô, Ponciano toma jeito e assume com mão de ferro a herança, tornando-se um homem poderoso, respeitado e temido. Nessa primeira fase da estória em que o coronel permanece como o supremo da fazenda, ele vai enfrentar uma série de aventuras com um toque de fantástico: seus inimigos serão onças, sereias e lobisomens. As contradições nos relatos do narrador dão margem para que a gente nunca saiba se ele está exagerando, inventando, sonhando ou, vai saber, falando a real.

Então, por uma série de acontecimentos, Ponciano decide passar um tempo na cidade e é isso que considero a segunda parte da estória. Se antes o protagonista lutava contra assombrações e serpentes demoníacas, aqui ele começa a lidar com um tipo bem pior de criatura: políticos, jornalistas e banqueiros. Considerando-se que o livro foi escrito em 1964, fico pensando se José Cândido de Carvalho não quis fazer uma metáfora sobre o processo de urbanização pelo qual o país passava.

A narrativa é deliciosa e lembra muito Guimarões Rosa em Grande Sertão: Veredas - não só no tom do narrador (alguém relatando a outro alguém suas aventuras passadas), mas também na tentativa de reproduzir a oralidade do homem do campo - sim, tem aquele monte de palavra que você não vai achar no dicionário.

Se precisa de mais um motivo para ler esta obra, posso dizer que ela está incluída na lista dos 100 livros essenciais da literatura brasileira Revista Bravo.

O Coronel e o Lobisomem está saindo por R$ 28,95 na Amazon.com.br, mas, além da edição de capa azul da Companhia das Letras, existe uma mais barata (e mais difícil de encontrar) da José Olympio. 

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A gente lê: O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald + baixe a obra grátis

Nível 0 de spoilers

Após lutar na Primeira Guerra Mundial, Nick Carroway, um garoto de estirpe do Meio-Oeste Americano, decidiu ser corretor de ações em Nova York. O cara se fixou em Long Island - o distrito mais calmo e isolado da cidade -, bem em frente a uma mansão #ostentação cujo dono, Gatsby, dava festas de arromba. 

O que eu havia ouvido sobre este clássico de F. Scott Fitzgerald até então me dava a entender que Gatsby era um fanfarrão (pensem só no sorrisinho sacana de Leonardo di Caprio no cartaz do filme). Mas, lendo o livro, em nenhum momento enxerguei um personagem vidaloka. Pelo contrário: o anfitrião permanece o tempo todo de canto, enquanto os convidados, meros desconhecidos, comem e bebem às suas custas espalhando boatos sobre ele.

Nível 5 de spoilers

Acontece que Gastsby era, no fundo, um romântico. O ricaço havia tido um grande amor antes de partir para guerra e, quando voltou, a mulher estava casada com outro. Coincidentemente (será mesmo?), ela é a prima do narrador Nick Carroway, Daisy. Resumindo: ele dava festas na esperança de, um dia, a amada aparecer. Ownnnnn....

Nível 7 de spoilers

Nos primeiros 70% do livro, achei que estava lendo uma trama de amor. Tolinha que fui... O Grande Gatsby é um livro sobre a profunda solidão, mas o porquê deixo para vocês descobrirem.

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Fim de spoilers - A importância de O Grande Gatsby

A obra é figurinha carimbada em qualquer lista de livros essenciais da literatura (como esta aqui feita pela Revista Bravo ou essa aqui escolhida por usuários do Facebook). Depois que terminei de ler, fui atrás de algumas análises para entender melhor.

Escrita em 1925, a trama captura um momento de euforia para os americanos. Enquanto a Europa estava devastada por uma guerra, os americanos viviam o momento de sonho e, cada vez mais, novos ricos pipocavam. Isso tudo, é claro, até 1929... Para o jornalista Ruy Castro, não é só na ficção que o hedonismo corria solto: Gatsby era Fitzgerald, enquanto Daisy era sua esposa, Zelda. O casal vivia nas festas parisienses tocando o terror e, nos momentos de ressaca, O Grande Gatsby era criado.

A análise de Tanny Tanner cita a inovação do personagem Nick Carroway, porque ele é o narrador, mas não o protagonista. É também o mais fiel defensor de Gatsby. Portanto, até que ponto podemos confiar no que ele conta? Até que ponto ele idealiza seu personagem principal? Parece que, durante os muitos anos que levou para escrever o clássico, Fitzgerald reduziu até o mínimo as falas do milionário e, no fim, apenas 4% do texto é formado pelas aspas de Gatsby, de resto é a representação que o amigo Nick deu a ele. 

Não sei vocês, mas eu amo narradores-enroladores :)

Baixe o e-book The Great Gatsby gratuitamente

Por fim, o recado maravilhoso é esse. Assim como muitos clássicos estrangeiros, o e-book da versão original (em inglês) de The Great Gatsby está disponível para downloads na Amazon.com.br por zero reais! O legal é que a obra digital vem com um guia de vocabulário, com a definição de certas palavras na própria tela do texto e no contexto em que ela está inserida, não do dicionário. Você pode ajustar a quantidade de dicas que vai receber de acordo com seu nível na língua.

Por ser escrito há um certo tempo, eu diria que é melhor arriscar o original se seu inglês for avançado. Anyway, não vai custar nada, então baixe a versão gratuita e faça um teste. Se estiver difícil, tem várias traduções de O Grande Gatsby na Amazon. Ou você pode se cadastrar no Shereland, adicionar amigos e pedir o livro emprestado.

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A gente lê: Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie

Os discursos que Chimamanda Ngozi Adichie tem feito por aí já viraram história - até Beyoncé usou trechos de Sejamos Todos Feministas (falei sobre ele aqui) em sua música Flawless. Mas o que achei lendo Americanah é que os romances da escritora nigeriana, por mais que sejam ficção, também têm um alto poder de demolição. Sim, porque seja enquanto está falando em uma conferência ou enquanto está escrevendo, Chimamanda vai colocar sua cabeça para dar piruetas.

Publicado em 2013, Americanah começa descrevendo a ida da personagem principal, Ifemelu, a um cabeleireiro para trançar seu cabelo afro. Ela está nos Estados Unidos há quinze anos, mas vai largar o blog bem-sucedido e o namorado para voltar para o país natal, a Nigéria. Agora me respondam rápido: quando é que vocês viram uma personagem cuidando de seu afro? Aliás, quando é que você viram uma negra africana ser a protagonista da história? (Um estudo do perfil dos personagens brasileiros constatou que dos 258 livros analisados, apenas três tinham protagonistas mulheres e negras).

Voltanto à trama, ela será em boa parte contada em flashbacks que explicarão as diversas etapas da vida de Ifemelu. Até uns vinte anos, a personagem viveu feliz e contente na Nigéria, com uma boa situação financeira (pelo menos até o pai ser demitido de um cargo público), um namorado galã e a oportunidade de estudar em uma universidade legal. Só que a instituição vivia em greve e, por isso, a moça se inscreve (e ganha) uma bolsa de estudos para estudar nos Estados Unidos.

Percebam que Chimamanda não coloca nenhum africano subnutrido se atirando no mar para chegar à Europa. O que ela cria são jovens lendo Sidney Sheldon, ouvindo Toni Braxton e que, por causa da instabilidade política (não da pobreza), escampam do país para buscar uma formação, "apenas famintas por escolha e certeza",

Chegando na terra do Tio Sam, Ifemulu descobrirá algo até então inexistente para ela: a questão racial (Chimamanda usa o termo 'raça', não etnia) e, então, a personagem abre um blog onde tentará explicar os tabus dos negros americanos para os negros não americanos. 

A partir daí, os capítulos do livro serão quase todos encerrados com trechos de posts fictícios tão sensacionais como este que copiei abaixo:

"Raça não é genótipo; é fenótipo. A raça importa por causa do racismo. E o racismo é absurdo porque gira em torno da aparência. Não do sangue que corre em suas veias. Gira em torno do tom da sua pele, do formato do seu nariz, dos cachos do seu cabelo."

Se você é daqueles que acham que a gente vive numa democracia racial, já vou logo avisando que é possível que se sinta incomodado em alguns momentos da leitura, porque provavelmente se reconhecerá em alguns maus exemplos. (Ou vai dizer que você nunca usou termos como "racismo invertido" ou "o discriminação está na cabeça"?) Relaxe e aprenda.

Quem ler as descrições da contracapa do livro terá a impressão de que Americanah é uma história de amor. Até pode ser, já que a trajetória de Obinze - aquele namorado que Ifemelu deixou na Nigéria - também será extremamente importante para a obra. Mas esse enfoque do enredo foi o que menos gostei e até me irritou em certos momentos.

Outra coisa é que, desde que terminei o livro, ando buscando de maneira meio frenética entrevistas com a autora, porque fiquei com muita curiosidade para saber o quanto de Chimamanda é Ifemelu. Pelo que pesquisei, aos 19 anos, a escritora também deixou o país por uma bolsa de estudos nos Estados Unidos, permaneceu lá por quatro anos (muito menos que a personagem ), estranhou a questão da raça e voltou para o país natal. Hoje em dia, Chimamanda se divide entre América e África. Filha de um pai professor, ela cresceu no campus da Universidade da Nigéria, característica que quem 'herdou' foi Obinze. Então, acho que, no fundo Americanah, é uma estória com uns traços de memória.

Se interessou? O livro está custando R$ 35,91 na Amazon (até a publicação deste post), ou você pode se cadastrar no Shereland, adicionar amigos e ver se nenhum deles tem Americanah para te emprestar.



 

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