A gente lê

Aqui contamos para você qual é o livro que a gente anda carregando na mochila. (Porque, acima de tudo, nós do Shereland somos leitores)

Para onde me levou Os Viajantes & Outras Narrações Breves, de Ronald Polito

Tenho preguiça de ler sinopses, então, quando baixei Os Viajantes & Outras Narrações Breves, sabia apenas que estava embarcando rumo a uma coletânea de histórias curtas de um poeta chamado Ronald Polito. Daí, já no primeiro texto, pá!, fui parar em um túnel de deslocamento galáctico... É isso mesmo, minha gente, trata-se de um poeta, mineiro, historiador fazendo ficção científica!

Os internautas que já me pediram dicas de leitura sabem que não sou fãs do gênero, mas creio que o diferencial de Ronald Polito foi usar ETs, naves espaciais etc. como um artifício para falar sobre algo extremamente humano, que é a incapacidade de comunicação.

E aí, quando já estava totalmente ambientada nesse papo de outro planeta, fui reabduzida e jogada de volta à Terra, num 'conto' cheio de emoção, desejo e dúvidas. Não sei se foi o fuso horário, mas precisei de um tempo para entender que as viagens intergalácticas tinham dado a vez para as 'outras narrações breves' anunciadas no título do livro. Os três capítulos restantes reúnem situações diversas, descritas em pouquíssimos parágrafos, mas com o absurdo como pano de fundo.

Para mim, o destaque dessa nova 'fase' ficou para o terceiro capítulo, que traz uma sequência de paródias do comecinho de Metamorfose, do Kafka. Nelas, Gregor Samsa acorda transformado numa letra, num nada ou mesmo não acorda.

Ficou confuso? Eu também fiquei um pouco (fico pensando se não seriam duas obras completamente diferentes em um livro só), mas acho que valeu a leitura. As histórias curtinhas (tão curtinhas que não dá pra chamar de conto) são perfeitas pra quando você estiver esperando numa fila, num metrô, Godot, enfim...

Os Viajantes & Outras Narrações Breves está disponível no formato de e-book. Acesse o site da editora (e parceira do Shereland) e-galáxia e veja como baixar.

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7 motivos pra baixar O Capricórnio Se Aproxima, de Flavio Cafiero

1. O texto de Flavio Cafiero é literatura brasileira da boa

E quando penso em literatura brasileira da boa, me refiro àquele texto gostoso que, mesmo que tenha dor e melancolia, tem também um leve humor. 

2. O Capricórnio Se Aproxima fala sobre um mundo que está logo aqui

João, o personagem principal, é um taxista carioca que acabou de ter aulas de inglês para receber os gringos para a Copa do Mundo. A esposa dele faz sobremesas para vender a restaurantes, mas, depois de uma briga entre o casal (ele acha que está sendo traído), ela diz que vai para Trindade vender artesanato. Não é maravilhoso quando a gente tem a impressão que o personagem poderia ser nosso vizinho?

3. As lembranças de João vão fazer você se divertir

O enredo se desenrola no presente do João ciquentão que, como falei, está em crise no casamento. Mas muitos capítulos trazem as lembranças do pequeno João, e é aí que está toda a graça. O menino cresceu rodeado de adultos que tentavam camuflar a realidade por meio de códigos pra lá de estranhos. Tipo: quando os pais de João se arrumavam para sair sexta à noite, diziam que estavam indo 'comer pudim de pão'; dois homens muito chegados eram 'vendedores de enciclopédia' e por aí vai. Alías, a tal da 'aproximação do capricórnio' é um desses códigos, mas não vou dar nenhum pista, porque, quando você desvendá-lo, vai entender também qual é o real mote do livro (e que a crise matrimonial de João era o menor dos problemas).

4. Não existe nenhum adjetivo no livro

O Capricórnio
 foi o primeiro lançamento do selo JOTA, projeto da e-galáxia (editora parceira do Shereland)  que propõe restrições de escrita para desafiar jovens escritores. Legal, né? Outras regras seguidas por Cafiero nessa narrativa foi a inclusão de um numeral e de todas a letras do alfabeto em cada capítulo.

5. Pra ser lido em uma sentada só

Junte um texto fluido, com uma história intrigante. Pois é, as sessenta 'páginas' do e-book vão que vão. Eu comecei a ler altas horas da noite, estava morrendo de sono e, mesmo assim, não consegui largar..

6. Flavio Cafiero fez o que você não tem coragem de fazer

Sabe aquela lenda do empresário bem-sucedido que abre mão de tudo para seguir o sonho? Pois é, o autor foi executivo numa grande empresa, até o dia em que decidiu viver da escrita. Depois de chutar o pau da barraca, Cafiero foi fazer uma oficina com a grande Noemi Jaffe (aliás, curadora do selo JOTA), que ficou impressionada com o talento do moço. Leia mais sobre a guinada de Cafiero nessa reportagem do O Globo.

7. Dá para baixar por um preço bem amigo

O livro está disponível no formato digital, e você pode baixar por R$ 5,90 na loja Kobo. Não tem um Kobo? Não precisa! Eu também não tenho, mas baixei o aplicativo no meu celular e no meu computador e achei a experiência bem tranquila. Com o tempo, você começa a entender o app, aumenta a letra, muda o contraste da tela e tudo vai melhorando, pode acreditar ;)

Clique aqui e veja onde você pode comprar o livro digital, além de mais informações sobre o selo JOTA

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Cristina 4 de Outubro de 2016 às 14:04

O que é "um leve humor"?

Gabriela 4 de Outubro de 2016 às 14:26

Para mim, um 'leve humor' é uma graça não escancarada, despretensiosa. Aquele toque jocoso que paira nos textos da maioria dos escritores brasileiros que admiro. Acho que esse é um traço muito característico da literatura brasileira - lembrando que sou apenas leitora, não estudo literatura.
Acha que o termo foi mal empregado?

Motivos para gostar e não gostar de Trono de Vidro, de Sarah J. Maas

por Juliana*

Trono de Vidro é o primeiro livro de uma série da escritora Sarah J. Maas. A história gira em torno de uma garota de 17 anos chamada Celaena Sardothien que é a maior assassina de todos os tempos. Com um passado triste cheio de spoiler, ela acabou capturada e forçada a trabalho escravo nas Minas de Sal de Endovier. 

Não é mole não: o livro já começa com a garota sendo escoltada até o rei sem saber o que vai acontecer com ela! Como está escrito no resumo do livro, eu posso contar aqui: Celaena foi convocada para ser a campeã do príncipe e deve vencer um torneio contra outros bandidos e assassinos para se tornar a assassina do rei.

Se você já gostou do resumo, compre e leia o livro. Abaixo, vou citar alguns prós e contras para te ajudar a se decidir. Lembrando, é claro, que é tudo baseado no meu gosto pessoal.

MOTIVOS PARA GOSTAR:

1. A personagem principal do livro é valente, cheia de energia e desbocada, fugindo de heroínas comuns ou magicamente perfeitas. Ela tem defeitos que a deixam mais humanizada e apesar de ser uma assassina, tem o coração de uma menina de 17 anos. 

2. Ao mesmo tempo que, se em demasia, é um ponto negativo, o romance é inicialmente agradável e você com certeza vai querer escolher um lado para shippar. 

3. O livro não tem lenga-lenga não, mesmo os momentos descontraídos são dinâmicos e dificilmente a história fica emperrada em algo pouco interessante. A autora faz passar o tempo e corta até alguns treinos.

4. Você consegue traçar uma linha de atitudes entre os personagens e eles conseguem ganhar vida e sua atenção.

5. O ambiente construído na história é ótimo e você logo se sente inserido no mundo.

MOTIVOS PARA NÃO GOSTAR:

1. Algumas vezes, parece estranho que a maior assasina do mundo só se preocupe em dar uns beijos em um certo personagem (nem é spoiler, fica óbvio), então por alguns instantes você se pergunta se está lendo um livro que se passa em um colégio. É claro que a proposta do livro é essa, mas em alguns momentos os personagens parecem que esquecem onde estão.

2. Celaena pode ser meio chatinha porque é sempre "a melhor", "a mais linda", "a mais habilidosa". Ainda que não caia completamente no estereótipo de "Mary Sue", você precisa gostar o suficiente da personagem para perdoá-la nesses aspectos de tanta perfeição.

3. É um mundo próprio, mas algumas coisas parecem fora do lugar demais, por exemplo, quando um saco de doces é entregue para a personagem, sua paixão por livros e MÚSICA (apesar de ser defensável, pode irritar alguns leitores)... Também é esquisito como em um mundo medieval sofrido os personagens ainda assim teimem em agir como crianças às vezes. 

4. Ok. O livro é para ser sobre personagens adolescentes apesar do mundo em que vivem. Mas, às vezes, é inconcebível que um membro da guarda tenha medo de usar a espada e ferir pessoas... 

5. É um pouquiiiiinho previsível. A autora deixa pistas DEMAIS para os leitores atentos. Mas ainda assim ela consegue surpreender no desenvolvimento de algumas cenas.

Se conseguir ignorar e entender essas partes, vá em frente! 

Recomendo, mas não para todos os públicos. 

É um bom livro de fantasia, ação e romance, que diverte e balanceia seus momentos. Quem curte Young Adult em geral vai adorar e viúvos de Crepúsculo com certeza vão pirar no trio principal. Quem busca um pouco de aventura em um ambiente com magia, castelos, intrigas e personagens como você também vai se identificar. 

Apesar das críticas que fiz, eu gostei e fiquei curiosa o bastante para continuar. Vamos para o próximo livro da trama!

*Juliana é jornalista e colaboradora supervoluntária do Shere

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Frases de Virginia Woolf em As Ondas

Publicado em 1931, As Ondas é o sétimo romance de Virginia Woolf. A essa altura, Mrs. Dalloway e Orlando já haviam consagrado a escritora, que inclusive conseguia ganhar dinheiro com a literatura!

Algumas resenhas que eu havia lido/ assistido tinham me assustado um pouco, e foi um alívio quando comecei a ler de fato e percebi que dava para entender. Claro, estamos falando de uma Virginia já consolidadíssima naquele estilo reticente que lhe é peculiar. Quero dizer que não espere uma narrativa linear, aliás, não espere uma narrativa, porque As Ondas acompanha os pensamentos de seis colegas - três mulheres (Susan, Rhoda e Jinny)  e três homens (Bernard, Louis e Neville) -, do fim da infância à velhice. Você leu certo: acompanha os PENSAMENTOS. Pois é, a história toda é contado por meio do que cada um está pensando.

É denso, mas é muito bonito, como provam as citações que destaquei no decorrer da minha leitura.

 "Agora vou embrulhar minha angústia dentro do meu lenço. Vou amassá-la numa bola apertada."

"Mas as palavras dele são muito cordiais para serem verdadeiras."

"Serei pelo resto da minha vida alguém que se agarra à franja das palavras."

"As histórias que perseguem as pessoas até seus quartos de dormir são difíceis."

"A gente quer dizer algo, sentir algo absolutamente apropriado para a ocasião. A mente está preparada; os lábios franzidos."

"Também desejo aumentar minha coleção de valiosas observações sobre a verdadeira natureza humana."

"Ainda assim, acho que as melhores frases são feitas na solidão."

"Pessoas diferentes tiram diferentes frases de mim."

"Não se pode viver fora da engrenagem mais do que talvez meia hora."

"Por isso nos agarramos como vermes nas costas de qualquer coisa que nos carregue."

"É preciso passar espetáculos de maneira suave e exata entre as páginas do romance, amarrar maços de cartas asseadamente com seda verde, e varrer as cinzas com a escova da lareira. Tudo deve ser feito para exprobrar o horror da deformidade."

"Se pudesse prolongar essa sensação por mais seis polegadas, pressinto que poderia tocar algum território estranho. Mas minha tromba é muito curta."

"Inventei milhares de histórias; enchi incontáveis cadernos de notas com frases para serem usadas quando eu tivesse encontrado a verdadeira história, aquela história única, aquela à qual todas essas frases se referem. Mas nunca encontrei tal história. E começo a perguntar: haverá histórias?'

"Como roubaram de mim os espaços brancos que há entre uma hora e outra, enrolando-os em migalhas sujas, e jogando-os no cesto de papel, com suas patas gordurentas. Mas aquilo era a minha vida."

"a prudência das pessoas atravessando ruas; a universal determinação de continuar vivendo, quando na verdade, tolos e imbecis, disse eu, qualquer telha pode cair de um telhado, qualquer carro pode dar uma guinada, pois não há rima nem razão quando um bêbado cambaleia com um porrete na mão - isso é tudo."

"Terça-feira, vem depois da segunda; quarta após a terça. Cada dia espalha a mesma ondulação. O ser vai crescendo em anéis, como uma árvore, há folhas caindo."

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Frases de Jout Jout em Tá Todo Mundo Mal

E aí a Paulinha me emprestou Tá Todo Mundo Mal, o livro da Jout Jout.

Nem todo mundo precisa entender sobre o que estou falando, então começo explicando que Jout Jout é uma moça de 25 anos que estourou graças a um canal no YouTube onde ela posta vídeos falando sobre... a vida. 

Com o sucesso, ela foi convidada a escrever um livro (fato sobre o qual ela é super honesta), e aí surgiu Tá Todo Mundo Mal, onde, por meio de textos curtos, ela conta as crises que já atravessou. A questão é que as crises não são tipo infância difícil num lar desestruturado. As crises de Jout Jout são tipo aceitação do corpo quando adolescente ou até a culpa de comprar comida demais e não ter coragem de jogar a sobra fora. É pra ser leve e divertido, pronto.

Ah, a Paulinha, que acompanha o canal, me disse que tem alguns temas bem repetidos daquelas já abordados nos vídeos. 

De qualquer forma, durante minha leitura, como de praxe, separei as frases que achei mais graciosas.

 

"Tudo entre nós estava errado. Inclusive o fato de termos achado coerente começar algum tipo de relação que fosse além do 'opa, tudo bom?'"

"Sofri três vezes mais, chorei sete. E claro, lidei com tudo da forma mais inadequada e desesperada possível."

'Tudo o que nosso drama emocional precisa é não ser incentivado de forma alguma"
(falando sobre piscinianos, mas acho que vale para todos os signos)

"Depois fui descobrir que não tem isso de errado, mas até chegar nesse desprendimento das modas das matinês, foi uma luta."

"O que é noção de ridículo? Eu nunca soube. Quem define esse ridículo? Como os seres humanos todos podem ter a mesma noção do que é ridículo e do que não é?"

"Na época do ensino médio, só quem queria fazer medicina é que tinha certeza do que queria fazer."

"Você quer que sua vida comece logo, quando na verdade ela já começou há mais de vinte anos."

"Não é a hora porque chega um momento  na vida em que agora nunca é uma boa hora para fazer nada que não seja muito fácil."

"porque quando vamos encarar críticas fortes temos que estar muito seguros da desconstrução que vamos fazer"

"E para a imaginação dedicada ao conforto da mente, o ser humano desconhece limites."

"As pessoas querem alguém que fale o que elas já sabem, às vezes o que precisam é do respaldo de desconhecidos para poder fazer algo a respeito."

"Quão frágil é esse amor que não resiste a uma ausência em um aniversário?"

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